O servidor da Unirio, Rafael Caruso, e outras 18 pessoas tiveram a casa violada e foram levados presos no final de semana, por perseguição política. O ato arbitrário aconteceu no sábado, dia 12 de julho, e fere o preceito constitucional segundo o qual a casa é asilo inviolável não podendo ser invadida fora do horário comercial nem sem mandado de justiça.
Dentre os presos encontram-se dois adolescentes, mandados para os quais o juiz Flávio Itabaiana não possuía competência. O juiz ignorou as regras judiciais e emitiu os mandados em total desacordo com estado de direito. Não havia indícios suficientes para crimes. As prisões tiveram motivações políticas, já que os indiciados pretendiam participar de manifestação pública no domingo, dia 13 de julho.
Os advogados da comissão de direitos humanos da OAB assistiram aos presos políticos e uma vigília foi feita na cidade da polícia por toda a noite de sábado. Nenhum dos advogados conseguiu, contudo, ter acesso ao processo que correu em segredo de justiça. Só na terça feira, dia 15 de julho, os advogados puderam ver qual era o conteúdo da acusação.
A acusação que apareceu na terça feira foi crime de quadrilha armada. Entretanto, nenhum dos presos possuía arma. A única arma apreendia estava legalizada e pertencia ao pai de uma das adolescentes. O processo afirmava que a menor a havia roubado do pai. O pai negou esta versão dos fatos e sustenta que a policia a retirou de seu armário.
Entre os presos, encontram-se professores, servidores e intelectuais ( juvenis e seniores). Em comum há apenas uma militância política. Alguns participaram de movimentos grevistas nos últimos meses. Dentre os dos docentes, a maioria leciona matérias de filosofia ou sociologia. A doutora Camila Jourdan, coordenadora do programa de pós-graduação da Filosofia da UERJ, está entre as 19 pessoas presas.
Os militantes do extinto comando de greve da unirio e sindicalistas da asunirio se mobilizaram desde as primeiras horas do sábado. Na noite do dia 12 de julho, movimentos sociais, coletivos autonomistas, coletivos socialistas, sindicatos e organismos de direitos humanos organizaram uma plenária contra o estado de exceção. Essa plenária se autodenominou Comitê Contra o Estado de Exceção.
A plenária de sábado decidiu participar dos dois atos marcados para o domingo. O primeiro era o “Copa na Rua” que sairia às 10h da Afonso Pena para a praça Saenz Peña. E o segundo era o “Fifa go home”, marcado para às 13h na praça saenz peña. Os militantes da Unirio participaram de ambos ajudando a carregar as faixas “Libertem os presos políticos: Ditadura nunca mais.”

